sábado, 21 de novembro de 2015

Métodos alternativos ao uso de animais para testes de cosméticos

Semana passada a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou, em primeira discussão, um projeto que proíbe no estado o uso de animais em testes para produção de cosméticos, perfumes e itens de higiene pessoal. A proposta, de autoria do deputado Missionário Ricardo Arruda (PSC), prevê multa e até perda do alvará de funcionamento da empresa em caso de descumprimento da regra. Na justificativa da proposta, o deputado argumenta que, desde 2009, países da União Europeia estão proibidos de realizar testes com animais e, desde 2013, é proibida a comercialização desses produtos nesses locais. Segundo ele, o Brasil tem há pelo menos três anos estudado e desenvolvido “métodos alternativos comprovadamente eficazes e éticos”.

Gente, esta notícia é muito boa! Este post tem a intenção de trazer à tona quais são exatamente esses métodos alternativos ao uso de animais. 
Entretanto, eu sou estudante de Farmácia e compreendo a importância real de fazer estudos em animais, mesmo com o mimimi que gira em torno dessa polêmica. No início do curso, eu era contra, mas quando fui estudando e vendo que os animais não são maltratados (pelo menos não devem) e de como é relevante sua importância, fui aceitando aos poucos. Então, com essa ótima notícia decidi trazer explicações em relação a esses métodos alternativos.

Introdução
Os cosméticos são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, com o objetivo de limpá-los, perfumá-los, protegê-los e/ou mantê-los em bom estado. Infelizmente esses produtos podem causar alergias e reações irritativas; por isso a importância dos testes, pois eles devem ser seguros.
Há várias metodologias de testes que os pesquisadores podem empregar para avaliar a segurança dos produtos cosméticos. Um ensaio in vivo (com animais) geralmente não deve ser executado na eventual existência de outro método científico in vitro (sem animais) válido, satisfatório, razoável e disponível na prática para obtenção do resultado desejado.

Testes In Vitro
Várias medidas têm sido executadas para diminuição do uso de animais em estudos de toxicidade, dentre elas: avanços em procedimentos de isolamento de células e conhecimento das técnicas de cultura de tecidos; técnicas analíticas sofisticadas que permitem a medida de pequenas quantidades de materiais biologicamente importantes; novos produtos humano-específicos desenvolvidos por biotecnologia. Estes métodos alternativos têm por objetivo principal avaliar o potencial irritativo, alergênico e sistêmico, este último, essencialmente por meio de sua absorção oral ou permeação. Os principais testes utilizados são:

Teste in vitro de irritação da pele 
Devido à complexidade das reações envolvidas no mecanismo de irritação da pele, é muito difícil estabelecer parâmetros que possam ser avaliados por um sistema in vitro. Tem-se o teste de resistência elétrica transcutânea, conhecido como TER. No TER, a substância a ser testada é aplicada durante 24 h em discos de epiderme de ratos (por uma raspagem, calma! Não é diretamente na pele do rato) e identificam-se os materiais corrosivos pela capacidade de diminuição na viabilidade das células abaixo de níveis definidos em períodos de tempo específicos.

Teste de fototoxicidade 
A base deste teste é a comparação da citotoxicidade de um agente químico testado com ou sem exposição adicional a doses não tóxicas de luz UVA. A citotoxicidade é expressa na determinação da dose dependente que reduz o crescimento celular, resultando em lesões celulares. Um resultado positivo neste teste indica que a substância teste tem potencial fototóxico.

Teste de absorção cutânea 
É um teste para predição de determinado efeito sistêmico. É possível estudar in vitro a permeabilidade de substâncias através da pele utilizando-se uma câmara de difusão, isto é, uma célula dividida em duas partes por uma membrana. A face externa da membrana fica em contato com a substância a penetrar, enquanto que a outra face contém um líquido (solução receptora) que entra em contato com o que atravessa e permite sua dosagem.

Teste in vitro de sensibilização da pele 
Pode-se empregar o teste chamado RBC (Red Blood Cell System). Este ensaio permite quantificar e avaliar os efeitos adversos dos tensoativos empregados em xampus e sabonetes líquidos sobre a membrana plasmática de hemácias e a conseqüente liberação da hemoglobina (hemólise) e ainda, o índice de desnaturação da hemoglobina, avaliado através de sua forma oxidada.

Teste de irritação ocular
Alguns dos testes de irritação ocular existentes são: teste ocular enucleado ou isolado derivado de tecido de coelho ou galinha, teste de membrana cório-alantóide do ovo de galinha e ensaio de permeabilidade e opacidade corneal bovina. O ensaio é baseado na observação dos efeitos irritantes (hiperemia, hemorragia e coagulação) após 5 min de aplicação do produto, puro ou diluído, sobre a membrana.

São basicamente estes os testes. Bacana, não?
Se você leu até o fim, obrigada pela atenção!


Referência Bibliográfica
CHORILLI, M., SCARPA, Virgínia M., et al. Toxicologia dos Cosméticos (2007), Latin American Journal of Pharmacy.

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