domingo, 13 de março de 2016

Realidade sobre os fitoterápicos

Nos últimos anos, com o aumento de "celebridades virtuais" voltadas para a saúde do corpo, mulheres viciadas em academia (e consequentemente no cuidado com a alimentação) e de gente que faz uso de produtos "naturais", tem surgido várias dicas virtuais, dentre eles os fitoterápicos.



Infelizmente, a maior parte dos fitoterápicos que são utilizados atualmente por automedicação não tem o seu perfil tóxico bem conhecido e a utilização inadequada destes produtos, mesmo de baixa toxicidade, podem induzir problemas graves desde que existam outros fatores de risco tais como contra-indicações ou uso concomitante de outros medicamentos.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) 65 a 80% da população mundial, especialmente em países em desenvolvimento, ainda confiam nos produtos a base de plantas medicinais no tratamento de suas doenças.

Primeiramente, a população deve compreender que fitoterápicos são medicamentos produzidos única e exclusivamente com matéria prima obtida dos vegetais. Esta é a grande diferença entre o medicamento fitoterápico e os outros não fitoterápicos que podemos chamar de sintéticos. Estes últimos podem ter outros princípios ativos que não são derivados de plantas.
Portanto, por serem medicamentos existe sim a chance deles provocarem efeitos colaterais! É importante alertar seu médico sobre todos os medicamentos que se está em uso. Um produto pode interferir e/ou interagir com outro comprometendo a eficácia de ambos. Não é porque um produto é “natural” que não apresenta efeitos de interação com outros.

O uso de plantas medicinais durante a gravidez ou lactação é um assunto delicado uma vez que podem causar estímulo da contração uterina e conseqüente aborto ou parto prematuro; ação hormonal que possibilite alterações no desenvolvimento fetal ou do sexo da criança; ações genotóxicas, mutagênicas, ocitotóxicas fetotóxicas e teratogênicas que podem levar a malformação no feto. É imprescindível que mulheres durante a gravidez não façam automedicação, mesmo de produtos naturais. Um tipo de planta que deve ser evitada, é a Rhamnus catharticus (Cáscara sagrada), por ser estimulante do útero e consequentemente abortiva. Ela é indicada como laxante e tem alto poder diurético.

Portanto, é necessária a divulgação do programa de farmacovigilância de fitoterápicos entre os profissionais de saúde, especialmente médicos e enfermeiros que atuam nos estabelecimentos de saúde que prestam serviços de atenção primária, assim como farmacêuticos que atuam também em hospitais e postos de saúde. Uma maior participação destes profissionais permitiria, além de um melhor contato entre o notificador e o prescritor, demonstrar a importância de se conhecer possíveis efeitos nocivos provenientes da administração dos medicamentos antes de sua prescrição, com medidas de prevenção, além de promover o uso racional desses medicamentos.


Fontes
Artigo:
Silveira, P. F., Bandeira, M. A. M., Arrais, P. S. D. - Farmacovigilância e reações adversas às plantas medicinais e fitoterápicos: uma realidade, 

Site da ANVISA

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