Eu, falando sinceramente, sou phD neste assunto, porque quando meu relacionamento de 4 anos acabou, parecia que a minha vida tinha acabado e que não existia mais sentido em nada do que eu viria a fazer.
Antes do meu ex-namoro acabar, eu havia perdido meses antes a minha mãe (se você quer saber sobre essa história, clique aqui). Logicamente, a dor da perda de um familiar como pai, mãe, filhos é muito maior do que de perder um namorado ou algum amigo. Não estou generalizando. A questão é que a minha mãe faleceu; logo, eu nunca mais iria vê-la novamente, enquanto que um ex-namorado você perde de outras maneiras, até porque o ex não se foi para sempre desse mundo (geralmente). A dor é diferente.
No início, eu dramatizei a dor da separação do ex mais do que da minha mãe. Quando a minha consciência caiu, finalmente vi o tamanho da estupidez. Mas demorou pra ficha cair. O problema da dor é que ela realmente precisa ser sentida.
O ponto principal desses acontecimentos de fim de relacionamento é muito simples: É difícil seguir em frente.
É difícil voltar aos lugares que sempre te lembrarão alguém que não vai mais voltar.
Nós não gostamos de dizer adeus ou nos despedirmos de quem amamos. Mas temos de fazê-lo. Por mais relutantes que estejamos, os fins de relacionamentos são uma parte muito real da vida.
Durante o meu período sozinha, e procurando novamente um sentido pra minha vida, fui em busca de textos. Algum texto que me dissesse que tudo aquilo iria passar, e que eu seria feliz novamente. Compreendi que, independente de como tudo tivesse sido encerrado, a culpa não era só minha. Eu tinha duas direções: continuar sofrendo, ou continuar caminhando rumo a superação. Foi aí que eu descobri que o que realmente muda a nossa vida, são as escolhas que nós fazemos todos os dias.
Na busca pelos textos, eu não queria nada muito feminista, que gritasse pra todos os lados que os homens são todos iguais e que o amor não existe. Eu só queria algo que me ajudasse a me reerguer.
Eu encontrei, por fim, dois textos excelentes, muito realistas sobre o amor e sobre como eu deveria agir dali pra frente.
Texto do Fabrício Carpinejar onde parafraseei em alguns momentos:
A dor não pede compreensão, pede respeito. Pensa-se "não é melhor assim." Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio forçado, empurrar a contragosto. Esse é o gosto do fim. Para iniciar uma história, ninguém tem medo, ninguém tem receio de falar. Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Só resta confiar em Deus que dias melhores virão e que Ele está no controle de tudo. Ele sabe de todos os inícios e fins. Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.
Texto da Martha Medeiros:
Existem duas dores de amor: A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.
O que tirei diante do meu fim?
Que você não pode começar um novo capítulo na sua vida se você continua relendo o último que terminou. E que ser feliz novamente é um outro passo. Um de cada vez.Ana.






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