Sábado à tarde eu fui até a Farmácia e pedi para conversar com a Farmacêutica Responsável pela Drogaria.
- Pois não, em que posso te ajudar? - ela perguntou.
- Olha só, eu estou com um problema no coração, ele está doendo muito, absurdamente.
- Você já toma alguma medicação para o coração? Tem cardíaco na família?
- Não, não esse problema de coração. - eu disse. - A dor no coração depois de um término. Mais especificamente, depressão pós término de noivado.
Obviamente não havia nada ali que curaria a minha dor e a Farmacêutica me orientou a buscar uma psicóloga ou algo do tipo.
Depois de muitos anos, estou sentindo essa dor novamente. A dor da rejeição, a dor da separação, a dor de ter que recomeçar tudo mais uma vez.
As pessoas com quem eu comentei sobre o término, falaram-me o clichê de sempre.
"Você vai superar."
"Ele nem devia te amar tanto assim, pra te deixar."
"Deus tem algo muito melhor pra ti."
"Como assim? Você é linda, inteligente e querida. Não foi você quem saiu perdendo."
"Você já passou por coisa muito pior, como perder a sua mãe."
As afirmações estão certas? Algumas, sim.
A verdade é que um relacionamento é feito de duas pessoas. Por mais que a parcela de culpa caia sobre um dos lados, ambos permitiram que aquilo acontecesse.
O problema do fim é que você não consegue vislumbrar um novo começo. Estamos tão embrulhados na dor, que não conseguimos seguir em frente. Não queremos saber de outras pessoas e só de imaginarmos esse fato somos golpeados por uma dor muito forte. O problema não é só terminar, o problema é ver ele com outra, ver a felicidade que era sua sendo preenchida por outro ser.
Parece que se o amor não tiver dor, não é válido. Precisamos sofrer e às vezes perder para reconhecermos o que estava diante dos nossos olhos.
Por vingança, vem a vontade de fingir que está feliz, que está superando. Há vontade de sair com outras pessoas, só para provar que você está seguindo em frente, quando na verdade você não está. Coração não é panfleto de rua pra se entregar ao primeiro que passa.
Eu sei, essa dor vai passar.
Eu sei, eu vou superar.
Eu sei, vai chegar um dia que eu vou olhar para trás e ter lembranças boas que tive com alguém que não existe mais na minha vida.
Mas enquanto isso eu fico aqui, embrulhada na dor, esperando Deus me curar enquanto o tempo passa.
Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser despedaçado e ainda assim continuar batendo?
Ana.






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