segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Dois anos sem você, mãe.

Eu achava que não seria tão difícil escrever este texto. Não pelo fato de não conseguir expressar a saudade que sinto da minha mãe, mas sim a questão de achar as palavras que transmitam isso, porque eu sei que nada do que eu escreva aqui vai ser o suficiente pra expressar e transmitir REALMENTE a falta que ela faz.

É impressionante como nós nos acostumamos com a falta da pessoa. O vazio está sempre ali, algo que de fato não é preenchido por nada neste mundo, mas que o amor de Deus suaviza esse buraco. Honestamente eu pensava que não aguentaria. Muitas pessoas não aguentam, sofrem por anos com estresse pós-traumático, não retomam a vida normalmente e até mesmo entram em depressão profunda. Eu, em decorrência da morte da minha mãe e do fim de relacionamentos amorosos acabei desencadeando depressão em um nível inicial, e transtorno compulsivo obsessivo – ansiedade.

É estranho. Acabei transferindo o papel de mãe para a minha irmã, que é mais velha (35 anos), mas é claro que não é a mesma coisa. A morte me ensinou como eu não valorizava a minha mãe quando a tive, e em como eu ignorava as coisas pequenas que ela fazia por amor, como:

- lavar a minha roupa.

- pedir o que eu queria almoçar.

- segurar a minha mão pra atravessar a rua, mesmo com 19 anos na cara. (Vamos, Ana Luiza! Esses motoristas andam que nem uns loucos, me dá a sua mão).

- me mandar sair do computador e ir estudar (como eu gostaria de agradecê-la por isso, porque valeu muito a pena!).

- brigar comigo por comer mais besteiras do que coisas saudáveis.

- mostrar as coisas de artesanato que ela fazia, esperando a minha aprovação.

- me mandar levar um casaco ou guarda-chuva (e quando eu não obedecia eu me arrependia amargamente porque ou ficava na chuva ou passava frio, hahaha)



Nesses dois anos sem ela, relembrei juntamente com meu pai coisas da personalidade dela e coisas que ela fazia que estarão intrinsecamente forjados nos nossos corações e nas nossas memórias.

Segue abaixo:

- ela gostava de jogar bingo.

- ela absolutamente AMAVA jogar videogame. Ela jogava Super Mario World quando tínhamos o Super Nintendo; jogava Tetris, Super Mario, Kirby e Yoshi no Nintendo 64; ela conseguiu se acostumar com o Nintendo Wii jogando Super Mario Galaxy, Super Mario Bross, vários do Lego (como Indiana Jones e Harry Potter) dentre outros. Ela jogava joguinhos que tinham no computador também, de catar moedinhas, objetos, o que fosse. Ela dizia que os jogos que ela queria jogar eram do gênero “bichinho”. (Ana Luiza, nada de me colocar pra jogar esses jogos de tiro e de morte. Eu quero é catar coisa!!)

- diante dos joguinhos, ela sempre me chamava quando não conseguia passar de fase...não porque ela não sabia jogar, mas porque ela queria que eu traduzisse pra ela os textos em inglês que diziam o que ela devia fazer.

- ela assistia novelas mexicanas, tipo A Usurpadora, Maria do Bairro e Café com aroma de mulher.

- ela buscava o Lorenzo na creche e quando ele a via na porta da creche saía correndo pra abraçar ela.

- ela adorava usar vestidos e saias, mas dificilmente usava porque morria de vergonha das suas pernas que eram magrinhas e tinha varizes.

- ela adorava jogar cartas (cacheta) com a família e muitas vezes ela fazia dupla com o meu pai, contra o restante dos jogadores.

- ela se sentia plenamente realizada quando ia visitar a mãe dela na praia.

- ela gostava de beber uma cervejinha, hahaha.

- ela gostava de cozinhar, porém ficava brava quando ninguém a ajudava na louça.

- ela tinha vergonha das manchas do Lupus no rosto e no colo e sempre que eu reclamava para ela “ai, mãe...mais uma espinha no rosto, estou horrível” ela respondia “Ana Luiza, não reclame. Espinha faz parte da adolescência e isso vai sair. Olha pra mim e essas manchinhas..isso aqui é que nunca vai sair!”

- quando meu irmão tocava em casa (ele era DJ e tinha a aparelhagem em casa) ela dançava bem feliz, mesmo sendo músicas eletrônicas.

- ela gostava da música Paradise do Coldplay, e principalmente do clipe com os elefantes.

- ela tinha orgulho da filha estar cursando Farmácia e sempre que encontrava uma amiga/amigo/conhecido na rua quando eu estava com ela, ela fazia questão de dizer: “Ah, essa aqui é a minha filha mais nova. Está fazendo Farmácia, nem acredito!”.

- ela era uma pessoa que tinha um estado de espírito enormemente lindo. Qualquer pessoa que a conheceu em vida lembra dela com muito carinho. Ela foi especial para muitas pessoas.

- ela era muito inocente em vários aspectos (exemplo: quando meu pai foi fazer a primeira tatuagem ela disse na cara do tatuador “ai, acho ridículo tatuagem na perna, sabe? Nada contra, mas acho que estraga a pessoa”) sendo que o tatuador tinha a perna fechada de tatuagens hahahahaha.

- ela foi guerreira até o fim, mesmo com duas metástases, mesmo com o Lúpus denegrindo o sistema imunológico dela, mesmo com a sepse bacteriana trazendo falência dos órgãos.

- ela sempre fez questão de dizer para todos que ela nos amava. E disse isso até o máximo que lhe foi possível. Até o fim.



Mãe, obrigada por tudo. Com certeza meus dias não são os mesmos sem você, mas estou seguindo em frente como você seguiu milhares de vezes na sua vida e sei que vamos nos reencontrar, porque:
Apocalipse 21:4 NVI – Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.



Ana.

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