Mais um mês que chega ao fim e fiquei chocada de perceber que já passamos de mais da metade do ano. Daqui a pouco já vamos escutar a música de final de ano da Globo hahaha "hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa!"
Além disso, agora em Agosto irá completar 6 meses que me mudei de Jaraguá para Joinville. Por isso, decidi escrever esse texto compartilhando minhas experiências e aprendizados desde que saí de casa.
♥ Valorizei mais do que nunca a minha família ♥
Não é nada fácil estar longe do meu pai, irmãos e sobrinhos. A saudade é diária e dói muito. Mas a distância serviu muito para eu valorizar todos eles. É muito fácil, no dia-a-dia ignorarmos e até esquecermos a importância da nossa família, onde damos mais espaço para discussões bobinhas do que para uma palavra de afeto, um abraço, um "eu amo você, irmãzinha."
Agora, toda vez que reencontro eles tenho vontade de enfiar todos num potinho e manter sempre comigo! Procuro sempre conversar muito com meus irmãos, contar notícias boas para eles, cantar no carro com meu pai, brincar com meus sobrinhos e esmagar, abraçar e beijar MUITO todos eles.
♥ Identifiquei meus verdadeiros amigos ♥
Eu me mudei repentinamente pra Joinville, então não tive tempo de me despedir de ninguém. Infelizmente, muitas pessoas se afastaram de mim (o que eu compreendo muito, pois é normal) e perdi contato com muitos amigos. Ao mesmo tempo, sou grata a Deus por muitas amizades continuarem a mesma coisa mesmo com a distância. Quando nos encontramos, independente do tempo e da distância, parece que nos vimos ontem. Amigos que jamais questionam a solidez da amizade, mesmo passando períodos sem nos falarmos. Amizades que entendem que a vida é corrida e que a fina poeira dos dias jamais encobrirá o que eu sinto por eles.
♥ Deixei de ser uma pessoa inocente ♥
Eu sempre achei que ser uma pessoa bobinha, inocente, era algo ótimo. Infelizmente, muitas pessoas se aproveitam desse meu jeito e sofri muito quando me mudei. Quebrei a cara várias vezes, amadureci como pessoa e olhando para trás vejo como muitas coisas ruins que aconteceram serviram para o meu crescimento.
♥ Descobri que sou uma péssima dona de casa (porém, esforçada) ♥
Sabe aquela vontade de acordar às 6h da manhã pra limpar a casa? Nunca tive, hahahaha. Quando eu morava com meus pais eu fazia poucas coisas em casa. Lavava uma louça, ajudava a pendurar as roupas no varal, arrumava meu quarto e só. Eu não fazia comida, não limpava banheiro, não ariava o fogão (...) e morando longe descobri que a roupa não se passa sozinha AHAHAHA. Aos poucos, aprendi a me virar e a ser dona de casa.
♥ Percebi que sinto falta da minha mãe mais do que nunca ♥
Esse tópico se encaixa mais com a questão da valorização da família. Diariamente sinto muito a falta da minha mãe e há dias que a saudade é insuportável. As pessoas dizem "nossa Ana, não deve ser fácil" e realmente não é NADA fácil. De qualquer forma, consigo me lembrar de muitas coisas que ela me ensinou e aplicar nos meus dias. Isso me deixa feliz. Mesmo após quase 3 anos do seu falecimento consigo tirar coisas boas no meio disso tudo.
♥ Valorizo mais Deus e a vida ♥
Certo dia indo trabalhar, olhei para o céu esperando ver um milagre ou sinal de Deus. Então percebi que tudo ao meu redor era um milagre. O costume havia me cegado.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por mais que tudo leve a crer que eu abandonei o blog, isso não é verdade, hehe.
Porém, com a correria do dia-a-dia, o cansaço e (por que não?) o desânimo, tenho postado com menos frequência no blog. Obrigada a todos que me seguem e nunca desistem de mim ♥
Mostrando postagens com marcador MÃE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MÃE. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 2 de agosto de 2016
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Dois anos sem você, mãe.
Eu achava que não seria tão difícil escrever este texto. Não pelo fato de não conseguir expressar a saudade que sinto da minha mãe, mas sim a questão de achar as palavras que transmitam isso, porque eu sei que nada do que eu escreva aqui vai ser o suficiente pra expressar e transmitir REALMENTE a falta que ela faz.
É impressionante como nós nos acostumamos com a falta da pessoa. O vazio está sempre ali, algo que de fato não é preenchido por nada neste mundo, mas que o amor de Deus suaviza esse buraco. Honestamente eu pensava que não aguentaria. Muitas pessoas não aguentam, sofrem por anos com estresse pós-traumático, não retomam a vida normalmente e até mesmo entram em depressão profunda. Eu, em decorrência da morte da minha mãe e do fim de relacionamentos amorosos acabei desencadeando depressão em um nível inicial, e transtorno compulsivo obsessivo – ansiedade.
É estranho. Acabei transferindo o papel de mãe para a minha irmã, que é mais velha (35 anos), mas é claro que não é a mesma coisa. A morte me ensinou como eu não valorizava a minha mãe quando a tive, e em como eu ignorava as coisas pequenas que ela fazia por amor, como:
- lavar a minha roupa.
- pedir o que eu queria almoçar.
- segurar a minha mão pra atravessar a rua, mesmo com 19 anos na cara. (Vamos, Ana Luiza! Esses motoristas andam que nem uns loucos, me dá a sua mão).
- me mandar sair do computador e ir estudar (como eu gostaria de agradecê-la por isso, porque valeu muito a pena!).
- brigar comigo por comer mais besteiras do que coisas saudáveis.
- mostrar as coisas de artesanato que ela fazia, esperando a minha aprovação.
- me mandar levar um casaco ou guarda-chuva (e quando eu não obedecia eu me arrependia amargamente porque ou ficava na chuva ou passava frio, hahaha)
Nesses dois anos sem ela, relembrei juntamente com meu pai coisas da personalidade dela e coisas que ela fazia que estarão intrinsecamente forjados nos nossos corações e nas nossas memórias.
Segue abaixo:
- ela gostava de jogar bingo.
- ela absolutamente AMAVA jogar videogame. Ela jogava Super Mario World quando tínhamos o Super Nintendo; jogava Tetris, Super Mario, Kirby e Yoshi no Nintendo 64; ela conseguiu se acostumar com o Nintendo Wii jogando Super Mario Galaxy, Super Mario Bross, vários do Lego (como Indiana Jones e Harry Potter) dentre outros. Ela jogava joguinhos que tinham no computador também, de catar moedinhas, objetos, o que fosse. Ela dizia que os jogos que ela queria jogar eram do gênero “bichinho”. (Ana Luiza, nada de me colocar pra jogar esses jogos de tiro e de morte. Eu quero é catar coisa!!)
- diante dos joguinhos, ela sempre me chamava quando não conseguia passar de fase...não porque ela não sabia jogar, mas porque ela queria que eu traduzisse pra ela os textos em inglês que diziam o que ela devia fazer.
- ela assistia novelas mexicanas, tipo A Usurpadora, Maria do Bairro e Café com aroma de mulher.
- ela buscava o Lorenzo na creche e quando ele a via na porta da creche saía correndo pra abraçar ela.
- ela adorava usar vestidos e saias, mas dificilmente usava porque morria de vergonha das suas pernas que eram magrinhas e tinha varizes.
- ela adorava jogar cartas (cacheta) com a família e muitas vezes ela fazia dupla com o meu pai, contra o restante dos jogadores.
- ela se sentia plenamente realizada quando ia visitar a mãe dela na praia.
- ela gostava de beber uma cervejinha, hahaha.
- ela gostava de cozinhar, porém ficava brava quando ninguém a ajudava na louça.
- ela tinha vergonha das manchas do Lupus no rosto e no colo e sempre que eu reclamava para ela “ai, mãe...mais uma espinha no rosto, estou horrível” ela respondia “Ana Luiza, não reclame. Espinha faz parte da adolescência e isso vai sair. Olha pra mim e essas manchinhas..isso aqui é que nunca vai sair!”
- quando meu irmão tocava em casa (ele era DJ e tinha a aparelhagem em casa) ela dançava bem feliz, mesmo sendo músicas eletrônicas.
- ela gostava da música Paradise do Coldplay, e principalmente do clipe com os elefantes.
- ela tinha orgulho da filha estar cursando Farmácia e sempre que encontrava uma amiga/amigo/conhecido na rua quando eu estava com ela, ela fazia questão de dizer: “Ah, essa aqui é a minha filha mais nova. Está fazendo Farmácia, nem acredito!”.
- ela era uma pessoa que tinha um estado de espírito enormemente lindo. Qualquer pessoa que a conheceu em vida lembra dela com muito carinho. Ela foi especial para muitas pessoas.
- ela era muito inocente em vários aspectos (exemplo: quando meu pai foi fazer a primeira tatuagem ela disse na cara do tatuador “ai, acho ridículo tatuagem na perna, sabe? Nada contra, mas acho que estraga a pessoa”) sendo que o tatuador tinha a perna fechada de tatuagens hahahahaha.
- ela foi guerreira até o fim, mesmo com duas metástases, mesmo com o Lúpus denegrindo o sistema imunológico dela, mesmo com a sepse bacteriana trazendo falência dos órgãos.
- ela sempre fez questão de dizer para todos que ela nos amava. E disse isso até o máximo que lhe foi possível. Até o fim.
Mãe, obrigada por tudo. Com certeza meus dias não são os mesmos sem você, mas estou seguindo em frente como você seguiu milhares de vezes na sua vida e sei que vamos nos reencontrar, porque:
Apocalipse 21:4 NVI – Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.
Ana.
É impressionante como nós nos acostumamos com a falta da pessoa. O vazio está sempre ali, algo que de fato não é preenchido por nada neste mundo, mas que o amor de Deus suaviza esse buraco. Honestamente eu pensava que não aguentaria. Muitas pessoas não aguentam, sofrem por anos com estresse pós-traumático, não retomam a vida normalmente e até mesmo entram em depressão profunda. Eu, em decorrência da morte da minha mãe e do fim de relacionamentos amorosos acabei desencadeando depressão em um nível inicial, e transtorno compulsivo obsessivo – ansiedade.
É estranho. Acabei transferindo o papel de mãe para a minha irmã, que é mais velha (35 anos), mas é claro que não é a mesma coisa. A morte me ensinou como eu não valorizava a minha mãe quando a tive, e em como eu ignorava as coisas pequenas que ela fazia por amor, como:
- lavar a minha roupa.
- pedir o que eu queria almoçar.
- segurar a minha mão pra atravessar a rua, mesmo com 19 anos na cara. (Vamos, Ana Luiza! Esses motoristas andam que nem uns loucos, me dá a sua mão).
- me mandar sair do computador e ir estudar (como eu gostaria de agradecê-la por isso, porque valeu muito a pena!).
- brigar comigo por comer mais besteiras do que coisas saudáveis.
- mostrar as coisas de artesanato que ela fazia, esperando a minha aprovação.
- me mandar levar um casaco ou guarda-chuva (e quando eu não obedecia eu me arrependia amargamente porque ou ficava na chuva ou passava frio, hahaha)
Nesses dois anos sem ela, relembrei juntamente com meu pai coisas da personalidade dela e coisas que ela fazia que estarão intrinsecamente forjados nos nossos corações e nas nossas memórias.
Segue abaixo:
- ela gostava de jogar bingo.
- ela absolutamente AMAVA jogar videogame. Ela jogava Super Mario World quando tínhamos o Super Nintendo; jogava Tetris, Super Mario, Kirby e Yoshi no Nintendo 64; ela conseguiu se acostumar com o Nintendo Wii jogando Super Mario Galaxy, Super Mario Bross, vários do Lego (como Indiana Jones e Harry Potter) dentre outros. Ela jogava joguinhos que tinham no computador também, de catar moedinhas, objetos, o que fosse. Ela dizia que os jogos que ela queria jogar eram do gênero “bichinho”. (Ana Luiza, nada de me colocar pra jogar esses jogos de tiro e de morte. Eu quero é catar coisa!!)
- diante dos joguinhos, ela sempre me chamava quando não conseguia passar de fase...não porque ela não sabia jogar, mas porque ela queria que eu traduzisse pra ela os textos em inglês que diziam o que ela devia fazer.
- ela assistia novelas mexicanas, tipo A Usurpadora, Maria do Bairro e Café com aroma de mulher.
- ela buscava o Lorenzo na creche e quando ele a via na porta da creche saía correndo pra abraçar ela.
- ela adorava usar vestidos e saias, mas dificilmente usava porque morria de vergonha das suas pernas que eram magrinhas e tinha varizes.
- ela adorava jogar cartas (cacheta) com a família e muitas vezes ela fazia dupla com o meu pai, contra o restante dos jogadores.
- ela se sentia plenamente realizada quando ia visitar a mãe dela na praia.
- ela gostava de beber uma cervejinha, hahaha.
- ela gostava de cozinhar, porém ficava brava quando ninguém a ajudava na louça.
- ela tinha vergonha das manchas do Lupus no rosto e no colo e sempre que eu reclamava para ela “ai, mãe...mais uma espinha no rosto, estou horrível” ela respondia “Ana Luiza, não reclame. Espinha faz parte da adolescência e isso vai sair. Olha pra mim e essas manchinhas..isso aqui é que nunca vai sair!”
- quando meu irmão tocava em casa (ele era DJ e tinha a aparelhagem em casa) ela dançava bem feliz, mesmo sendo músicas eletrônicas.
- ela gostava da música Paradise do Coldplay, e principalmente do clipe com os elefantes.
- ela tinha orgulho da filha estar cursando Farmácia e sempre que encontrava uma amiga/amigo/conhecido na rua quando eu estava com ela, ela fazia questão de dizer: “Ah, essa aqui é a minha filha mais nova. Está fazendo Farmácia, nem acredito!”.
- ela era uma pessoa que tinha um estado de espírito enormemente lindo. Qualquer pessoa que a conheceu em vida lembra dela com muito carinho. Ela foi especial para muitas pessoas.
- ela era muito inocente em vários aspectos (exemplo: quando meu pai foi fazer a primeira tatuagem ela disse na cara do tatuador “ai, acho ridículo tatuagem na perna, sabe? Nada contra, mas acho que estraga a pessoa”) sendo que o tatuador tinha a perna fechada de tatuagens hahahahaha.
- ela foi guerreira até o fim, mesmo com duas metástases, mesmo com o Lúpus denegrindo o sistema imunológico dela, mesmo com a sepse bacteriana trazendo falência dos órgãos.
- ela sempre fez questão de dizer para todos que ela nos amava. E disse isso até o máximo que lhe foi possível. Até o fim.
Mãe, obrigada por tudo. Com certeza meus dias não são os mesmos sem você, mas estou seguindo em frente como você seguiu milhares de vezes na sua vida e sei que vamos nos reencontrar, porque:
Apocalipse 21:4 NVI – Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.
Ana.
sábado, 7 de novembro de 2015
Mãe, meu aniversário tá chegando!
Essa frase do título do post é algo que minha mãe cansou de ouvir, hahahaha! Mas acho que com todo mundo é assim, né?
Depois de estar desde Outubro fazendo contagem regressiva para o meu aniversário, agora que ele está se aproximando surgiu uma pontada de tristeza.
Eu não tinha intenção de que este fosse um post triste, mas é provável que ele de certa forma acabe se tornando.
Você já parou para perceber que quanto mais velhos ficamos, mais responsabilidades temos? Certo, isso é meio óbvio. Mas que sim, crescemos, precisamos começar a sair de casa (ou então, se não sair de casa como é o meu caso, passar o dia todo fora e chegar em casa só à noite), fazer faculdade, ir ao estágio ou ao trabalho, passar finais de semana ocupados estudando ou trabalhando...Ufa! É bastante cansativo.
No meio disso tudo podemos ficar doentes, pois nem todos conseguem sair ilesos do combo estresse + correria + alimentação ruim. E o que isso tudo tem a ver com o meu aniversário estar se aproximando? Bom, o fato de que por mais que cada ano passasse e eu estivesse na correria e ficasse doente, quando eu chegava em casa a minha mãe estava lá.
Quem mora com pai e mãe sabe do que estou falando.
Três anos atrás quando eu iniciei a faculdade foi quando comecei a perceber isso. Eu acordava 5:00 da manhã e já via pela fresta do meu quarto a luz da cozinha acesa. Lá estava a minha mãe passando o café. Eu me lavava e quando chegava na cozinha minha mãe já tinha arrumado a mesa. Pelos próximos trinta minutos eu conversava com ela; contava a ela o que eu ia ter naquele dia (alguma prova, apresentação, ou simplesmente dizia quais aulas eu tinha naquele dia) e ela contava o que iria fazer naquele dia (qual local da casa iria arrumar, o que faria de almoço) ou contava algo do dia anterior que talvez ela tinha deixado de me contar. Ela esperava comigo a van parar na frente de casa e então nos despedíamos.
Depois na volta da escola, ela me esperava pra almoçar comigo e conversávamos novamente. Eu me despedia e ia pro meu estágio.
E por fim, ao voltar pra casa no final da tarde, lá estava ela vendo suas novelinhas ou na sala ou no seu quarto.
Incontáveis vezes deitei ao seu lado após chegar cansada de um dia intenso e ela sempre me recebia com um abraço e pedia para eu assistir a novela com ela. Lembro que eu ia dormir às vezes um pouco mais tarde fazendo algum trabalho porque eu havia ficado com ela vendo a novela, mas eu não me importava.
Lembro que no meio dessa rotina volte e meia eu ficava doente. Ela, sempre prestativa, me acordava no meio da noite me lembrando de tomar o remédio.
Minha mãe tinha asma e fazia a nebulização sempre na sala, para não acordar o meu pai e adivinhem: eu acordava com o barulho do motorzinho, hahahaha. Eu levantava e ia lá ficar com ela, ver se estava tudo bem.
Dia 11 deste mês é meu aniversário, na semana que vem. Meu segundo aniversário sem a minha mãe.
É difícil crescer, mas é mais difícil crescer sem ter alguém ali do seu ladinho apoiando você, querendo o tempo todo agradar você.
Que todos nós possamos viver essa vida que passa tão rápido sabendo agradecer a Deus pelas pessoas que Ele colocou na nossa vida. E o mais importante: mostrando para essas pessoas importantes da nossa vida como nós a amamos, porque um dia elas irão partir.
Mãe, eu te amo! Obrigada por todos os ensinamentos que você me passou em vida.
Depois de estar desde Outubro fazendo contagem regressiva para o meu aniversário, agora que ele está se aproximando surgiu uma pontada de tristeza.
Eu não tinha intenção de que este fosse um post triste, mas é provável que ele de certa forma acabe se tornando.
Você já parou para perceber que quanto mais velhos ficamos, mais responsabilidades temos? Certo, isso é meio óbvio. Mas que sim, crescemos, precisamos começar a sair de casa (ou então, se não sair de casa como é o meu caso, passar o dia todo fora e chegar em casa só à noite), fazer faculdade, ir ao estágio ou ao trabalho, passar finais de semana ocupados estudando ou trabalhando...Ufa! É bastante cansativo.
No meio disso tudo podemos ficar doentes, pois nem todos conseguem sair ilesos do combo estresse + correria + alimentação ruim. E o que isso tudo tem a ver com o meu aniversário estar se aproximando? Bom, o fato de que por mais que cada ano passasse e eu estivesse na correria e ficasse doente, quando eu chegava em casa a minha mãe estava lá.
Quem mora com pai e mãe sabe do que estou falando.
Três anos atrás quando eu iniciei a faculdade foi quando comecei a perceber isso. Eu acordava 5:00 da manhã e já via pela fresta do meu quarto a luz da cozinha acesa. Lá estava a minha mãe passando o café. Eu me lavava e quando chegava na cozinha minha mãe já tinha arrumado a mesa. Pelos próximos trinta minutos eu conversava com ela; contava a ela o que eu ia ter naquele dia (alguma prova, apresentação, ou simplesmente dizia quais aulas eu tinha naquele dia) e ela contava o que iria fazer naquele dia (qual local da casa iria arrumar, o que faria de almoço) ou contava algo do dia anterior que talvez ela tinha deixado de me contar. Ela esperava comigo a van parar na frente de casa e então nos despedíamos.
Depois na volta da escola, ela me esperava pra almoçar comigo e conversávamos novamente. Eu me despedia e ia pro meu estágio.
E por fim, ao voltar pra casa no final da tarde, lá estava ela vendo suas novelinhas ou na sala ou no seu quarto.
Incontáveis vezes deitei ao seu lado após chegar cansada de um dia intenso e ela sempre me recebia com um abraço e pedia para eu assistir a novela com ela. Lembro que eu ia dormir às vezes um pouco mais tarde fazendo algum trabalho porque eu havia ficado com ela vendo a novela, mas eu não me importava.
Lembro que no meio dessa rotina volte e meia eu ficava doente. Ela, sempre prestativa, me acordava no meio da noite me lembrando de tomar o remédio.
Minha mãe tinha asma e fazia a nebulização sempre na sala, para não acordar o meu pai e adivinhem: eu acordava com o barulho do motorzinho, hahahaha. Eu levantava e ia lá ficar com ela, ver se estava tudo bem.
Dia 11 deste mês é meu aniversário, na semana que vem. Meu segundo aniversário sem a minha mãe.
É difícil crescer, mas é mais difícil crescer sem ter alguém ali do seu ladinho apoiando você, querendo o tempo todo agradar você.
Que todos nós possamos viver essa vida que passa tão rápido sabendo agradecer a Deus pelas pessoas que Ele colocou na nossa vida. E o mais importante: mostrando para essas pessoas importantes da nossa vida como nós a amamos, porque um dia elas irão partir.
Mãe, eu te amo! Obrigada por todos os ensinamentos que você me passou em vida.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Sobre o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
A minha mãe tinha Lupus.
O Lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune sistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos, pela formação e deposição de imunocomplexos, e pela inflamação em diversos órgãos e dano tecidual.
Deus sabe como a vida dela foi sofrida por conta dessa doença que acomete várias pessoas, e que elas nem mesmo sabem.
Esse post tem a intenção exatamente de explicar o que é o Lupus, que mesmo bastante disseminado ainda é muito desconhecido pela população.
Primeiramente, é necessário entender que o Lupus é uma doença autoimune. Mas afinal, o que é uma doença autoimune?
As doenças auto-imunes são um tipo de desordem imunológica caracterizada pela diminuição da tolerância aos componentes do próprio organismo, de modo que ocorre uma falha no mecanismo de distinção entre antígenos constituintes do organismo e aqueles externos, como vírus e bactérias. Em resumo, as nossas células não "reconhecem" as próprias células, e destroem as nossas próprias estruturas.O Lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune sistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos, pela formação e deposição de imunocomplexos, e pela inflamação em diversos órgãos e dano tecidual.
No caso da minha mãe, ele acometia a pele na região do rosto, braços e colo, mas o Lúpus atinge também órgãos vitais, como rins, coração e pulmões.
Toda vez que ela sofria exposição do sol sem filtro solar, o Lúpus piorava, causando coceira, irritação e vermelhidão nas lesões. A piora também existia quando ela sofria emocionalmente; fato que é exacerbado bastante nos indivíduos que tem alguma doença autoimune. Uma vez que o emocional da pessoa é abalado, a doença tende a piorar uma crise, ou até mesmo iniciá-la, por exemplo.
Na pele, tem-se a clássica lesão em asa de borboleta, caracterizada por eritema malar e no dorso do nariz.
Os portadores de Lúpus tem como alguns sintomas acometidos artrite (principalmente), serosite, nefrite, vasculite, miosite e manifestações mucocutâneas.
Para o diagnóstico de LES, é fundamental a realização de exame físico completos e de alguns exames laboratoriais que podem auxiliar na detecção de alterações clínicas da doença, como:
- hemograma completo com contagem de plaquetas;
- contagem de reticulócitos;
- teste de Coombs direto;
- velocidade de hemossedimentação (VHS);
- proteína C reativa;
- eletroforese de proteínas;
- aspartato-aminotransferase (AST/TGO);
- alanina-aminotransferase (ALT/TGP);
- bilirrubinas total e frações;
- ureia e creatinina;
- avaliação de autoanticorpos (FAN, anti-DNA nativo, anti- Sm, anticardiolipina IgG e IgM, anticoagulante lúpico, anti-La/SSB, anti-Ro/SSA e anti-RNP).
- contagem de reticulócitos;
- teste de Coombs direto;
- velocidade de hemossedimentação (VHS);
- proteína C reativa;
- eletroforese de proteínas;
- aspartato-aminotransferase (AST/TGO);
- alanina-aminotransferase (ALT/TGP);
- bilirrubinas total e frações;
- ureia e creatinina;
- avaliação de autoanticorpos (FAN, anti-DNA nativo, anti- Sm, anticardiolipina IgG e IgM, anticoagulante lúpico, anti-La/SSB, anti-Ro/SSA e anti-RNP).
Ainda não se sabe a causa dessa doença (é desconhecida), apenas é sabido que é desencadeado principalmente por fatores emocionais, como algum trauma intenso, ou problemas emocionais contidos a longo prazo. O LES atinge principalmente mulheres (9:1) em idade reprodutiva, iniciando-se mais comumente entre 20 e 40 anos.
Felizmente é possível ter uma qualidade de vida boa, fazendo uso através de medicamentos específicos, como os corticoides. No caso da minha mãe, ela também fazia acupuntura, o que a ajudou bastante.
E você? Conhecia essa doença? Conhece alguém que tem uma doença autoimune. Conta pra mim!
Xoxo
Marcadores:
FARMÁCIA,
MÃE,
PESQUISA,
SIGNIFICADO
domingo, 2 de agosto de 2015
Lembranças boas da minha mãe (VÍDEO)
Eu sempre lembro da minha mãe e sempre falo dela pra muitas pessoas.
Por conta disso, várias pessoas que não a conheceram em vida, tem curiosidade de saber algumas coisas dela. Pensando nisso e aproveitando para fazer uma homenagem aos que a conheceram, fiz esse vídeo mostrando algumas lembranças que são marcadas muito fortes em mim.
Espero que vocês gostem do vídeo!
Se você não conhece a história da minha mãe, clique aqui!
Ana.
Por conta disso, várias pessoas que não a conheceram em vida, tem curiosidade de saber algumas coisas dela. Pensando nisso e aproveitando para fazer uma homenagem aos que a conheceram, fiz esse vídeo mostrando algumas lembranças que são marcadas muito fortes em mim.
Espero que vocês gostem do vídeo!
Se você não conhece a história da minha mãe, clique aqui!
Ana.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Como foi o câncer da minha mãe
Essa semana completou mais um mês de saudade da minha mãe,
no dia 7. Nessas horas o tempo é
relativo. Ao mesmo tempo em que eu analiso que já fizeram 1 ano e 7 meses desde
que ela faleceu e que isso é bastante tempo, também parece que foi ontem que
isso tudo aconteceu.
Minha mãe foi diagnosticada com câncer de pulmão, em Junho
de 2013. Uma semana antes de ir à pneumologista ela teve tosses que saíam
sangue, o que foi o suficiente para nos assustar. Eu fui com ela à
pneumologista e lembro que no raio-x a médica comentou que não tinha certeza,
que seria necessário fazer biópsias para confirmarem, mas que ela suspeitava que poderia ser um câncer.
Eu, que estava com ela, ao invés de dar forças, comecei a chorar feito louca. Lembro que minha mãe olhou pra mim, se segurando para não chorar e disse: “Calma, a mãe vai ficar bem.”
Eu, que estava com ela, ao invés de dar forças, comecei a chorar feito louca. Lembro que minha mãe olhou pra mim, se segurando para não chorar e disse: “Calma, a mãe vai ficar bem.”
A
minha reação foi tão espontânea pelo fato de que quando ouvi a palavra câncer,
a primeira coisa que pensei foi: ela
pode morrer.
Tudo foi feito pelo SUS, desde as internações até as biópsias.
Foi necessário fazer quimioterapia e radioterapia, sessões das quais não me
lembro o número.
No
início, ela estava bem. Andava pelos corredores, vivia sorridente, brincava com
os enfermeiros, fez amizade com praticamente todos no hospital. Quando a biópsia
saiu, ela me disse que o câncer era benigno (algo que foi escondido por ela,
pois depois que ela se foi, acabei vendo os resultados dos exames que indicavam
como maligno). Infelizmente as sessões de quimioterapia a deixaram fraca, sem
fome, magra a ponto de seus ossos saltarem, mas não a deixaram tão para baixo a
ponto de deixar de sorrir, ter esperanças e tratar todos bem.
A casa dela era o hospital.
Ela até agradecia por ter todos os efeitos adversos que a quimioterapia trazia,
porque se ela ficasse em casa ela precisaria repousar; algo que era muito
difícil para ela. Cansei de estar em casa e vê-la fazendo comida, varrendo a
casa, enquanto ela deveria estar descansando. Mas eu não a culpo, pois ela foi
ativa durante todos os anos da sua vida.
Agradeço a Deus por ter permitido que ela estivesse viva no
meu aniversário (11 de Novembro), o último aniversário que ela esteve comigo.
Ela estava relativamente bem e conseguiu estar em casa nesse período.
Então ela teve uma metástase na coluna, o que a impediu de
andar, pois a dor era imensa e uma metástase no outro pulmão, o que comprometeu sua capacidade respiratória. (Em termos simples, a metástase é quando o câncer
vai para outro local do corpo).
Ela
começou a ficar na base da morfina para cessar a dor e lembro que foi muito
triste essa época, pois ela começou a esquecer quem eu era, não queria comer e só brigava com todos. Chegou num ponto em que ela dormiu e não acordou mais.
Tudo era na base das sondas. Ela ficou no quarto, mas nunca chegou a ir para a UTI.
Numa quarta-feira à tarde, de chuva, eu havia deixado de ir
trabalhar para ficar com ela e comecei a conversar com ela. Comecei a contar
sobre como estava indo tudo bem na faculdade, que talvez eu passaria de ano
direto, como estava o estágio, dentre outros assuntos que eu contava a ela
desde que ela havia apagado. Até que naquele dia, depois de dias sem acordar,
ela abriu os olhos pra mim. Lembro que comecei a gritar (um misto de surpresa e alegria) como uma criança, e ela
só ria. Disse “oi, filhaaaaaaaa”, sorrindo com a boca toda ressecada de tanto
tempo que estava fechada. Impedi que ela voltasse a dormir, comuniquei toda a
minha família, enfermeiros, e em questão de minutos todos foram vê-la. Ela
dizia que estava bem, que não tinha dor, e que estava com fome. Foi a primeira
vez em semanas que ela comeu sem a sonda. Eu disse a ela que a amava muito (e ela retribuía o tempo inteiro dizendo que me amava, que amava todos que estavam ali com ela), e
eu acreditei do fundo do meu coração que aquilo era um sinal que ela iria
melhorar. Mas não era. Foi só uma oportunidade que Deus nos deu para nos
despedirmos dela.
No final de Novembro o médico foi curto e direto: “é questão de sentar e esperar. Não posso
fazer mais nada por ela.” O hospital trouxe uma psicóloga para me acalmar,
mas eu me recusei. Lembro que fui grossa com a psicóloga, mas o que podia se
esperar de reação de alguém que havia acabado de ouvir do médico que sua mãe ia
falecer e que seria questão de horas?
Então, finalmente, no dia 7 de Dezembro de 2013, um sábado
chuvoso, ela faleceu ao lado do meu pai. Minha tia me ligou e disse: “acabou,
Ana Luiza. Ela descansou.” Não chorei, não falei nada. Eu sabia que era egoísmo
da minha parte querer que ela continuasse comigo, sofrendo. Eu agradeci por
Deus tê-la levado, pra acabar com o sofrimento.
Basicamente, foi isso. A história de câncer dela foi
diferente de várias outras histórias, mas tristemente com o mesmo final. No
começo, só havia dor. A não-aceitação do meu pai e a raiva contida do meu
irmão. Hoje, todos conseguimos lembrar dela sem sofrer, porque Deus cuidou de
todos nós. Hoje sou mais forte porque aprendi a ser forte como ela. Porque vi ela lutando até o fim da sua vida. Tudo o que faço de certa forma penso nela, porque sei que ela teria orgulho. A dor, graças a Deus passa, o que fica com a gente é apenas a
saudade.
Mas Deus nos ensina por meio do sofrimento e usa a aflição para abrir os nossos olhos. (Jó 36:15 NTLH)
Mas Deus nos ensina por meio do sofrimento e usa a aflição para abrir os nossos olhos. (Jó 36:15 NTLH)
Ana.







