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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Lições de vida após mudar de cidade

Mais um mês que chega ao fim e fiquei chocada de perceber que já passamos de mais da metade do ano. Daqui a pouco já vamos escutar a música de final de ano da Globo hahaha "hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa!"

Além disso, agora em Agosto irá completar 6 meses que me mudei de Jaraguá para Joinville. Por isso, decidi escrever esse texto compartilhando minhas experiências e aprendizados desde que saí de casa.



♥ Valorizei mais do que nunca a minha família ♥

Não é nada fácil estar longe do meu pai, irmãos e sobrinhos. A saudade é diária e dói muito. Mas a distância serviu muito para eu valorizar todos eles. É muito fácil, no dia-a-dia ignorarmos e até esquecermos a importância da nossa família, onde damos mais espaço para discussões bobinhas do que para uma palavra de afeto, um abraço, um "eu amo você, irmãzinha."
Agora, toda vez que reencontro eles tenho vontade de enfiar todos num potinho e manter sempre comigo! Procuro sempre conversar muito com meus irmãos, contar notícias boas para eles, cantar no carro com meu pai, brincar com meus sobrinhos e esmagar, abraçar e beijar MUITO todos eles.

♥ Identifiquei meus verdadeiros amigos ♥

Eu me mudei repentinamente pra Joinville, então não tive tempo de me despedir de ninguém. Infelizmente, muitas pessoas se afastaram de mim (o que eu compreendo muito, pois é normal) e perdi contato com muitos amigos. Ao mesmo tempo, sou grata a Deus por muitas amizades continuarem a mesma coisa mesmo com a distância. Quando nos encontramos, independente do tempo e da distância, parece que nos vimos ontem. Amigos que jamais questionam a solidez da amizade, mesmo passando períodos sem nos falarmos. Amizades que entendem que a vida é corrida e que a fina poeira dos dias jamais encobrirá o que eu sinto por eles.

♥ Deixei de ser uma pessoa inocente ♥

Eu sempre achei que ser uma pessoa bobinha, inocente, era algo ótimo. Infelizmente, muitas pessoas se aproveitam desse meu jeito e sofri muito quando me mudei. Quebrei a cara várias vezes, amadureci como pessoa e olhando para trás vejo como muitas coisas ruins que aconteceram serviram para o meu crescimento.


♥ Descobri que sou uma péssima dona de casa (porém, esforçada) ♥

Sabe aquela vontade de acordar às 6h da manhã pra limpar a casa? Nunca tive, hahahaha. Quando eu morava com meus pais eu fazia poucas coisas em casa. Lavava uma louça, ajudava a pendurar as roupas no varal, arrumava meu quarto e só. Eu não fazia comida, não limpava banheiro, não ariava o fogão (...) e morando longe descobri que a roupa não se passa sozinha AHAHAHA. Aos poucos, aprendi a me virar e a ser dona de casa.


♥ Percebi que sinto falta da minha mãe mais do que nunca ♥

Esse tópico se encaixa mais com a questão da valorização da família. Diariamente sinto muito a falta da minha mãe e há dias que a saudade é insuportável. As pessoas dizem "nossa Ana, não deve ser fácil" e realmente não é NADA fácil. De qualquer forma, consigo me lembrar de muitas coisas que ela me ensinou e aplicar nos meus dias. Isso me deixa feliz. Mesmo após quase 3 anos do seu falecimento consigo tirar coisas boas no meio disso tudo.

♥ Valorizo mais Deus e a vida ♥

Certo dia indo trabalhar, olhei para o céu esperando ver um milagre ou sinal de Deus. Então percebi que tudo ao meu redor era um milagre. O costume havia me cegado.










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Por mais que tudo leve a crer que eu abandonei o blog, isso não é verdade, hehe.

Porém, com a correria do dia-a-dia, o cansaço e (por que não?) o desânimo, tenho postado com menos frequência no blog. Obrigada a todos que me seguem e nunca desistem de mim ♥

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

As decisões que tomamos na nossa vida

Essa semana sofri um impasse bem grande na minha vida. Estou praticamente prestes a dar um passo muito grande, porém, esse grande passo tem sido algo que por um lado me empolga e por outro lado me entristece.
Eu tenho 21 anos. Nunca imaginei que sairia de casa antes de, no mínimo, formar-me na faculdade. Entretanto, 2016 começou com algumas reviravoltas na minha vida que me impeliram a tomar uma decisão: sair de casa e morar em outra cidade.
Para algumas pessoas pode não ser nada de mais, mas para mim é absurdamente demais por vários motivos...

- Não sei cozinhar (bom, pelo menos não como a minha mãe ou a minha avó. Sei sobreviver cozinhando algumas coisas básicas, mas não gosto do clássico arroz e feijão).

- Não sei fazer aquela limpeza na casa, de deixar tudo um brinco.

- Não sou uma pessoa fácil de lidar, logo, morar com outra pessoa faz com que eu obviamente tenha que me adaptar e manter a calma antes de sair perdendo a paciência.

- Não vou apenas sair de casa, vou também sair da cidade!

- Posso afirmar que sou um tanto preguiçosa.

Dessa forma, vocês podem imaginar a reação da minha família, certo?
Sou a mais nova dentre os irmãos e é claro que ambos acharam isso um absurdo. O meu pai foi o mais maleável de todos, mas sei que é porque ele já tem outra família (uma namorada que está grávida).
Minha irmã foi a que mais se opôs à ideia...na realidade ela continua insistindo que eu mude de ideia e eu compreendo ela de verdade, uma vez que ela mora comigo e se preocupa comigo. Veja bem, ela sabe desses itens que citei acima. 
De qualquer forma, apesar dela estar triste com a ideia ela me apoia de certa forma.

É difícil. Isso é um tipo de situação na qual ninguém nos prepara, mas que a vida nos reserva. Todos nós passaremos por isso. É impossível agradar a todos numa ocasião como essa, mas o que importa no meio disso tudo são coisas como saber conversar, ter paciência e muito amor, uma vez que a pessoa está decidida qual caminho seguir.


O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime! 
(Deuteronômio 31:8)


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A nossa verdadeira identidade em Cristo

Em algum momento da nossa vida, nós já fomos rotulados.
Provavelmente pela sua aparência, sofrendo algum tipo de bullying, por algo que você fez, ou simplesmente pelas pessoas te definirem de acordo com a opinião delas mesmas.
A nossa identidade consiste no modo como enxergamos a nós mesmos. A cultura em que vivemos diz que a identidade é a imagem que alguém tem de si próprio.
Procuramos nos definir por inúmeras outras coisas, outros rótulos que não Jesus.

Quando nos definimos de várias maneiras, podemos passar (e de fato, passamos) por uma crise de identidade!
Em geral desconhecemos a fonte da nossa identidade até que ocorram mudanças, geralmente trazidas por dificuldades e dor. Quando casamento, amizades, filhos, aparência, riquezas, sucesso, carreira, relacionamento amoroso, ou qualquer outra coisa desmorona sob o peso de ser um deus, surge uma crise. Mas por quê isso acontece? Porque a fonte da nossa identidade era a idolatria àquela coisa - namoro, carreira, riquezas, etc.
Quando isso acontece, geralmente procuramos alguém para culpar. Alguns culpam a Deus por ter lhes tirado seu ídolo e ficam amargurados. Alguns culpam outras pessoas e ficam ressentidos e irritados. Por fim, alguns culpam a si mesmos e sentem-se fracassados, odiando-se pelo aconteceu.
Quando isso acontece, não devemos escolher outro ídolo, pois isso se tornará um círculo vicioso sem fim, pipocando de um vício para o outro, de um relacionamento para outro, de algo que preencha aquele vazio que ficou; devemos, então, nos voltar a Jesus!
O problema no meio disso tudo é que não entendemos quem realmente somos: filhos de Deus, criados à imagem dEle. Quando sabemos quem somos e crescemos no propósito, Deus revisa o modo com que enxergamos o futuro.

"Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." (Gálatas 2:20 versão NVI)
Sabe o que esse versículo nos diz? Que nós não necessitamos mais dos outros para definir quem somos. Cristo se tornou a nossa identidade!


Não existe pecado grande demais para a graça de Deus. Não tem hábito arraigado demais pra ele curar. Não há rótulo forte demais para o amor dEle. Acredite nisto: O PODER DE DEUS É MAIOR QUE O SEU PASSADO!


Você não é o que os outros pensam a seu respeito.
Não se limite ao seu passado.
Não se limite ao que você fez.
Você não é o que lhe fizeram, mas sim o que Jesus lhe fez.
Você não é o que você faz, mas sim o que Jesus já fez.
O que você faz não determina quem você é, mas sim quem você é em Cristo determina o que você faz.

Em Cristo, recebemos um novo nome:
Talvez você tenha feito muita coisa errada e carregue essa culpa. O seu nome conferido por Deus, é PERDOADO.
Pode ser que lute contra um pecado ainda atual. O seu novo nome é TRANSFORMADO.
Talvez conviva dia após dia com uma ferida do passado. O seu novo nome é CURADO.
Quando Deus nos dá um novo nome, mesmo se a sensação for de que você não mereça ou não combina com ele, não se preocupe. Por seu Espírito e por meio de Jesus, você crescerá ATÉ FAZER JUS A ELE.


* Este post foi inspirado pelo livro Quem você pensa que é? (Mark Driscoll) e pelo livro Ego no altar (Craig Groeschel) *

Xoxo

domingo, 26 de julho de 2015

Sobre as perdas da nossa vida

As perdas doem mais do que a saudade, cortam mais do que alguns dias de ausência. As perdas nos afetam mais do que as doenças, e nos deixam em mais agonia do que um amor mal acabado poderia deixar algum dia. As perdas vão nos arrancar de nossos lugares e nos sacudir no rosto da realidade. E embora pareça que nunca vai acabar, o tempo um dia vai te encontrar. 

A verdade é que todos nós sabemos que um dia vamos perder aqueles que amamos, e que também vamos nos perder. Acredito que a morte não é um vulto encapuzado que vem causar tristeza. A morte é uma luz e uma porta para a eternidade. A morte não é o fim, o abismo não tem fundo, você vai continuar caindo. Mas vai cair em meio à cor, nada vai estar escuro. E todos aqueles que um dia você achou que tinha perdido para sempre, vão estar lá, caindo com você e por você também. A beleza do abismo não é o que vai estar do outro lado, é a queda. 

Console o seu coração, pois a pessoa que você ama está com Deus, e a sua vida é um descanso agora, porque tudo que era mau passou. Alegre-se por quem você perdeu, não porque essa pessoa não faz falta ou você não sente saudade dela, mas porque ela está junto do Pai.

É o amor, amor por aqueles que te deixaram e amor por aqueles que você vai deixar.
É tudo sobre o amor. Todas as coisas ao nosso redor estão ligadas a ele. E quando você perde alguém de um jeito irremediável é, sim, doloroso, mas saiba que as pessoas que nos amam nunca nos deixam de verdade. Elas vão estar nos nossos corações, e nas nossas mentes, vão estar nas fotos que tiramos, nas músicas que ouvimos e nas flores que vimos.
E diga-me se estou errada quando digo que todas essas perdas são curvas e atalhos no caminho da vida.
Diga-me se estou errada quando digo que o tempo vai curar a sua ferida.

Minha mãe mandando SMS pós quimio(conheça a história de câncer dela aqui)

Eclesiastes 8:6-8 (NTLH)
Existe um tempo certo e um modo certo de fazer cada coisa. Mas o nosso grande problema é que não sabemos o que vai acontecer amanhã, e não há ninguém que possa nos contar. Ninguém pode dominar o vento, nem segurá-lo. Assim também ninguém pode evitar a morte, nem deixá-la para outro dia. Nós temos de enfrentar essa batalha, e não há jeito de escapar.


Ana.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Significado das minhas tatuagens

Quando eu era mais nova achava um absurdo ver gente tatuada. Não por preconceito, mas porque sabia que era algo que doía e que não sairia nunca mais da pele (a menos que tente a técnica de remoção a laser, mas mesmo assim pode não sair totalmente).
Meu pai era uma pessoa rígida, não permitiu meu irmão e minha irmã de fazerem tatuagens e colocarem piercings (ambos ignoraram isso e foram radicais; minha irmã com tatuagens e meu irmão com piercings) e eu sabia que comigo seria igual.
Para a minha surpresa, com 15 anos de idade eu queria colocar piercing no nariz e ele permitiu. Não só permitiu como no mesmo dia ele fez sua primeira tatuagem. Hoje ele deve ter em torno de umas 8 tatuagens e tem vontade de fazer cada vez mais.


Com o tempo percebi que a tatuagem poderia ser algo que impactasse as pessoas. Eu sou Cristã e quando compreendi o meu chamado, dei-me conta de que até mesmo uma tatuagem poderia mostrar o amor de Deus. 
A igreja que eu frequento - Onda Dura - me mostrou que Deus não nos castiga e não nos odeia se tatuarmos o nosso corpo (se for para a glória dEle).


Como já falei em outro post, minha mãe faleceu (se você não leu e quer saber como isso tudo aconteceu, clique aqui). Com isso, decidi tatuar a assinatura dela, juntamente com meu pai.
A assinatura dela representa para mim tudo dela. Vi muitas vezes ela assinando o nome nos meus boletins, agendas ou quaisquer outros documentos. Achava linda a letra dela; a forma que ela escrevia é como a representava: gentil, delicada e amável.



Aquilo que o coração amou é eterno.



Deuteronômio 5:16a - "Honra teu pai e tua mãe, como te ordenou o Senhor, o teu Deus(...)"



Fiz duas tatuagens de uma vez só. Além da assinatura da minha mãe no pulso (que de fato, doeu um pouco) também tatuei uma cruz no braço.
Tatuei uma cruz, porque a cruz é amor. Jesus veio pagar uma dívida que nós não teríamos condições de arcar e ele fez isso por AMOR. 
E o amor de Deus é mais forte que a morte.



Atos 20:24 - "Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus."



A tatuagem é a maior prova de que podemos fazer escolhas e conviver com elas pelo resto da vida.

E você, também tem algum história por trás da sua tatuagem?



Ana.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Como foi o câncer da minha mãe

Essa semana completou mais um mês de saudade da minha mãe, no dia 7.  Nessas horas o tempo é relativo. Ao mesmo tempo em que eu analiso que já fizeram 1 ano e 7 meses desde que ela faleceu e que isso é bastante tempo, também parece que foi ontem que isso tudo aconteceu.

Minha mãe foi diagnosticada com câncer de pulmão, em Junho de 2013. Uma semana antes de ir à pneumologista ela teve tosses que saíam sangue, o que foi o suficiente para nos assustar. Eu fui com ela à pneumologista e lembro que no raio-x a médica comentou que não tinha certeza, que seria necessário fazer biópsias para confirmarem, mas que ela suspeitava que poderia ser um câncer.          
Eu, que estava com ela, ao invés de dar forças, comecei a chorar feito louca. Lembro que minha mãe olhou pra mim, se segurando para não chorar e disse: “Calma, a mãe vai ficar bem.”                                                       
A minha reação foi tão espontânea pelo fato de que quando ouvi a palavra câncer, a primeira coisa que pensei foi: ela pode morrer.


Tudo foi feito pelo SUS, desde as internações até as biópsias. Foi necessário fazer quimioterapia e radioterapia, sessões das quais não me lembro o número. 
No início, ela estava bem. Andava pelos corredores, vivia sorridente, brincava com os enfermeiros, fez amizade com praticamente todos no hospital. Quando a biópsia saiu, ela me disse que o câncer era benigno (algo que foi escondido por ela, pois depois que ela se foi, acabei vendo os resultados dos exames que indicavam como maligno). Infelizmente as sessões de quimioterapia a deixaram fraca, sem fome, magra a ponto de seus ossos saltarem, mas não a deixaram tão para baixo a ponto de deixar de sorrir, ter esperanças e tratar todos bem.
A casa dela era o hospital. Ela até agradecia por ter todos os efeitos adversos que a quimioterapia trazia, porque se ela ficasse em casa ela precisaria repousar; algo que era muito difícil para ela. Cansei de estar em casa e vê-la fazendo comida, varrendo a casa, enquanto ela deveria estar descansando. Mas eu não a culpo, pois ela foi ativa durante todos os anos da sua vida.


Agradeço a Deus por ter permitido que ela estivesse viva no meu aniversário (11 de Novembro), o último aniversário que ela esteve comigo. Ela estava relativamente bem e conseguiu estar em casa nesse período.
Então ela teve uma metástase na coluna, o que a impediu de andar, pois a dor era imensa e uma metástase no outro pulmão, o que comprometeu sua capacidade respiratória. (Em termos simples, a metástase é quando o câncer vai para outro local do corpo). 
Ela começou a ficar na base da morfina para cessar a dor e lembro que foi muito triste essa época, pois ela começou a esquecer quem eu era, não queria comer e só brigava com todos. Chegou num ponto em que ela dormiu e não acordou mais. Tudo era na base das sondas. Ela ficou no quarto, mas nunca chegou a ir para a UTI.


Numa quarta-feira à tarde, de chuva, eu havia deixado de ir trabalhar para ficar com ela e comecei a conversar com ela. Comecei a contar sobre como estava indo tudo bem na faculdade, que talvez eu passaria de ano direto, como estava o estágio, dentre outros assuntos que eu contava a ela desde que ela havia apagado. Até que naquele dia, depois de dias sem acordar, ela abriu os olhos pra mim. Lembro que comecei a gritar (um misto de surpresa e alegria) como uma criança, e ela só ria. Disse “oi, filhaaaaaaaa”, sorrindo com a boca toda ressecada de tanto tempo que estava fechada. Impedi que ela voltasse a dormir, comuniquei toda a minha família, enfermeiros, e em questão de minutos todos foram vê-la. Ela dizia que estava bem, que não tinha dor, e que estava com fome. Foi a primeira vez em semanas que ela comeu sem a sonda. Eu disse a ela que a amava muito (e ela retribuía o tempo inteiro dizendo que me amava, que amava todos que estavam ali com ela), e eu acreditei do fundo do meu coração que aquilo era um sinal que ela iria melhorar. Mas não era. Foi só uma oportunidade que Deus nos deu para nos despedirmos dela.


No final de Novembro o médico foi curto e direto: “é questão de sentar e esperar. Não posso fazer mais nada por ela.” O hospital trouxe uma psicóloga para me acalmar, mas eu me recusei. Lembro que fui grossa com a psicóloga, mas o que podia se esperar de reação de alguém que havia acabado de ouvir do médico que sua mãe ia falecer e que seria questão de horas? 
Então, finalmente, no dia 7 de Dezembro de 2013, um sábado chuvoso, ela faleceu ao lado do meu pai. Minha tia me ligou e disse: “acabou, Ana Luiza. Ela descansou.” Não chorei, não falei nada. Eu sabia que era egoísmo da minha parte querer que ela continuasse comigo, sofrendo. Eu agradeci por Deus tê-la levado, pra acabar com o sofrimento.


Basicamente, foi isso. A história de câncer dela foi diferente de várias outras histórias, mas tristemente com o mesmo final. No começo, só havia dor. A não-aceitação do meu pai e a raiva contida do meu irmão. Hoje, todos conseguimos lembrar dela sem sofrer, porque Deus cuidou de todos nós. Hoje sou mais forte porque aprendi a ser forte como ela. Porque vi ela lutando até o fim da sua vida. Tudo o que faço de certa forma penso nela, porque sei que ela teria orgulho. A dor, graças a Deus passa, o que fica com a gente é apenas a saudade.

Mas Deus nos ensina por meio do sofrimento e usa a aflição para abrir os nossos olhos. (Jó 36:15 NTLH)




Ana.